sexta-feira, 6 de maio de 2011

DESAFIO: Preparar um Brownie Light para meu maridão!

Brownie Light com Ameixa e Café
Este blog começou há 6 meses e, desde então, a cozinha aqui em casa não pára! No começo, todo mundo achou o máximo, principalmente o Alê! Mas depois de alguns quilinhos a mais ("mea maxima culpa"), ele me pediu que reduzisse um pouco as calorias dos meus quitutes! Acho que este é o maior desafio que alguém já me deu! Principalmente porque eu adoro fazer doces, massas... E tudo leva muita manteiga, muita farinha, muito açúcar... Calorias, calorias, calorias!

Mas, como todo desafio, esta é uma oportunidade de conhecer novas receitas, novas formas de preparo! Vamos lá!!

E hoje, coincidentemente, uma amiga minha, Katharina, me mostrou um livrinho dos Vigilantes do Peso com uma receita de Brownie Light! Só 99 calorias por porção!!

Como isso era possível? Eu já fiz brownie aqui nos Desafios, e é uma receita absurdamente calórica, pois leva muito chocolate meio amargo derretido, além de nozes e açúcar! Calculando grosseiramente, um pedaço de Brownie tradicional tem 460 calorias!! Que "bomba"!!

A receita light leva purê de ameixas pretas (para dar o toque "úmido" do chocolate derretido), cacau em pó e café (para deixar o bolo bem escuro), pouquíssimo açúcar e uma xícara de farinha. O mais calórico na receita era a manteiga, 120 gramas. Obviamente o sabor ficaria bem diferente do Brownie Tradicional, mas quando alguém está de regime e não pode consumir doce, esta opção é uma maravilha!! Vamos à receita que rende 20 pedaços (bem pequenos), de 99 calorias cada:

Brownie Light com Ameixa e Café

Ingredientes
  • 100 gr de ameixas pretas sem caroço
  • 8 colheres de sopa de água
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 40 gr de cacau em pó
  • 1/2 colher de café de fermento em pó
  • 1/2 colher de café de sal
  • 120 gr de manteiga derretida
  • 1/4 xícara de açúcar (75 gr)
  • 1 ovo
  • 2 claras
  • 5 gr de café em pó solúvel, diluído em 1/4 xícara de água
  • 8 gotas de essência de baunilha
Os ingredientes do Brownie Light

Prepare o purê de ameixas, batendo as ameixas e a água no liquidificador, até virar uma pasta. Peneire a farinha, o fermento, o sal e o cacau em uma tigela.
Acenda o forno a 180 graus. Em uma batedeira, misture a manteiga amolecida e o açúcar.


Acrescente o ovo, bata bem, e as claras, batendo mais um pouco. Incorpore o café e o purê de ameixas. Vá acrescentando os ingredientes secos aos poucos, até ficar bem homogêneo.


Coloque a massa em uma assadeira de 20x30, de preferência de teflon, para não precisar untar. Deixe descansar por 10 minutos.




Coloque no forno e asse por 30 minutos aproximadamente.




Retire do forno, deixe esfriar e desenforme em uma tábua, deixando-o virado para cima. Corte-o em 20 pedaços.


A aparência é muito semelhante ao brownie tradicional, talvez um pouco mais "baixo". Mas, assim como o brownie, o brownie light não cresce muito e fica bem escuro por dentro.

O sabor é bem gostoso: café e chocolate combinam muito e a ameixa realmente deixa o bolo úmido e com uns pedacinhos... quase lembrando as nozes! rs

O Alê experimentou e, gentilmente, perguntou... "A receita deu certo??" kkkk
Deu sim, meu amor... É que, infelizmente, a redução de calorias normalmente também acompanha uma redução de sabor... Mas, quando o Brownie é proibido, a versão light cai muito bem!! Bón Appettit!!

Brownie Light  com Ameixa e Café
 

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DESAFIO: Continuar a me "vingar" dos abacates do vizinho! Agora com um Creme de Abacate "Light"!

Lembram da minha vingança aos enormes abacates do vizinho que viviam caindo na cobertura aqui de casa, fazendo um barulho infernal e assustando todo mundo? A salada de Guacamole foi só o começo!!

A vingança continua!! O jardineiro fez uma nova "colheita" e minha fruteira está lotada de abacates!! E hoje a forma de "acabar" com um deles, foi fazer um delicioso Creme de Abacate Light!! Light porque esta fruta é bem calórica, tanto que chega a ser considerada a vilã das frutas! Tirando o fato de que elas gostam de me assustar ou tentar cair na minha cabeça, ao pesquisar um pouco mais, descobri que não são tão nocivas assim! Pelo menos, para nossa saúde!

Segundo a nutricionista Jocelem Salgado, o abacate, apesar de um pouco calórico (100 gr tem cerca de 170 calorias), seu consumo é altamente recomendável para reduzir níveis de colesterol! Embora grande parte de suas calorias venha da gordura de sua polpa, esta gordura é benéfica para o nosso organismo! Por isso, não tenha preconceito com esta fruta, tão comum no nosso país. Alías, o Brasil é um dos poucos locais que serve o abacate com açúcar, em uma versão "sobremesa"... Nos países onde a fruta também é popular (México, Guatemala, Estados Unidos), a fruta é servida em versões salgadas, em saladas, patês...

O Creme de Abacate poderia seguir a receita do Creme de Papaya mas, além das calorias do próprio abacate, teríamos as calorias do sorvete de creme também! E, ao invés do "batido" licor de Cassis, o toque refinado desta sobremesa será dado por um delicioso vinho do porto (nada light, mas vamos colocar só um pouquinho!!). Para "simular" o sorvete de creme, leite desnatado, gotinhas de essência de baunilha com o adoçante! Desta forma, a sobremesa ficaria com cerca de 210 calorias, incluindo o vinho do porto!! Toda esta preocupação "calórica" existe também porque meu maridão está de regime!! E eu não quero me sentir "culpada", não é, amor?? Olhem a receita para 2 porções:

Creme de Abacate Light com Vinho do Porto
  • 1 abacate bem maduro
  • 5 colheres de sopa de leite desnatado bem gelado 
  • 5 gotas de essência de baunilha
  • 2 saquinhos de adoçante
  • 40 ml de vinho do porto
Deixe o abacate gelar bem. Coloque a polpa, o leite, a baunilha e o adoçante no liquidificador, e bata até ficar bem homogêneo. Coloque em uma taça de vidro ou cristal e despeje o vinho do porto! Sirva imediatamente, pois o abacate escurece rapidamente!



Para mais informações sobre os benefícios do abacate e algumas receitas (que ainda não provei), clique aqui!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

DESAFIO: Conhecer o La Dolce Vita!

La Dolce Vita (foto do site)
Depois da experiência do Budda Bar, me animei a adquirir "groupons" de restaurantes que eu ainda não conheço, por um precinho mais "camarada"! E esta semana, foi a vez de conhecer o La Dolce Vita, restaurante ítalo-contemporâneo, localizado na Daslu (assim como o Budda Bar! coincidência total!).
O ambiente é bem moderno... Cadeiras de veludo roxo, rosa, cinza, paredes decoradas com desenhos geométricos, luzes claras, um enorme bar iluminado com neon no centro, uma sala com um puff rosa enorme... Para o meu gosto, um pouco exagerado demais... Prefiro uma decoração mais aconchegante, meia luz, música suave... Não sei se é romantismo ou idade! rs...

Por outro lado, adoro novas experiências gastronômicas! E lá estamos nós, Alê e eu, para mais uma delas!

Depois de recusar o couvert (o Alê está de regime e eu acho um desperdício ocupar o estômago com pão e pastinhas...), pedimos uma salada como entrada:

Salada de Alcachofras, Feijão Branco e Presunto de Parma

Combinação diferente e interessante. As alcachofras eram "em conserva", infelizmente, pois ficam muito avinagradas... O tempero também puxava muito para o vinagre e a porção era bem, bem pequena... Nós dividimos a entrada e tivemos que contar os feijões para não sermos injustos um com o outro!! kkkk



Hora de escolher o prato principal: o cardápio é bem variado, com opções de risotto, massas, carnes e peixes. Eu escolhi o Risotto de Camarões, Alcachofra e Pecorino (que falta de criatividade minha, alcachofra de novo! rs) e o Alê optou pelo Medalhão de Filet com Molho de Vinho Barolo e Penne ao molho Brie...

Meu risotto estava divino! Os pedaços de camarão se misturavam aos pedaços de alcachofra (que não eram "em conserva"), em uma base bem cremosa de arroz arbóreo! E, para "decorar", um camarão grandão grelhado! A porção era pequena, mas risotto é um prato bem "encorpado" e foi a quantidade foi mais do que suficiente! Agora, reparem o tamanho do prato! Mal cabe na foto! kkk... E para acompanhar, uma taça de vinho branco, Chardonnay argentino, La Chamiza... fraquinho em qualidade, mas, pelo menos, não brigou com o prato (sorte dele, porque o prato era beeem grande!! kkkk)


A "diversão" ficou por conta do prato do Alê: quando chegou, ele falou: "Ainda bem que estou de regime!!" A apresentação era linda: um medalhão bem alto (passado demais, infelizmente), com molho de vinho e um potinho (bem pequeno), de penne com molho branco... Era muito pouca comida! rs... A sorte é que o Alê estava mesmo de regime, e a porção pequena veio bem a calhar!!



  A boa notícia era que havia espaço para provar uma sobremesa! Aliás, se tem uma coisa que não consigo, é ir a um restaurante de primeira e não provar uma sobremesa!! Normalmente "convido" meu maridão a dividir, assim, a sobremesa fica light, com metade das calorias!!

As opções de sobremesa pareciam deliciosas e fiquei em dúvida entre o Cheesecake, o Tiramisú e a Pannacota! Todos tradicionais na essência, mas com algum toque diferente... Optei pelo cheesecake, que era servido com mascarpone e uma redução de laranja! Era mais uma variação de uma sobremesa que adoro e que até já rendeu um post bem legal!



Adoro sobremesas bem elaboradas! Olhem esta apresentação! E a florzinha decorando o doce, sobre um pouquinho de mascarpone e com o biscoito de amêndoa! A redução de laranja estava deliciosa, mas podia ter vindo mais!!

O atendimento foi atencioso e a qualidade dos pratos era indiscutível! O jantar foi ótimo e, apesar das "brincadeiras" sobre as quantidades, saímos absolutamente satisfeitos! Nada de passar em uma lanchonete para complementar o jantar! rs

domingo, 1 de maio de 2011

DESAFIO: Fazer a Tarte Tatin, inspirada no Le Vin e na Julia Child!

Tarte Tatin
Há algumas semanas, fui com o Alê jantar no Bistrô Le Vin (aquele mesmo do Desafio do Créme Brullée) e, surpreendentemente, resolvi pedir outra sobremesa que não o famoso Créme Brullée. Escolhi a Tarte Tatin! Ai meu Deus, será que eu iria me arrepender?? Quando veio a sobremesa, fiquei maravilhada! Estava d-i-v-i-n-a! Até o Alê, que não é muito fã de maçãs, admitiu que estava deliciosa! E acompanhava uma saborosa calda de baunilha (feita com a fava) e uma bola de sorvete de creme (ao meu ver, totalmente desnecessária, considerando a combinação mais que suficiente da Torta de maçã com a calda de baunilha!). Se não tivesse a calda, o sorvete complementaria bem!

Pronto! Estava lançado mais um Desafio!

Tarte Tatin do Le Vin
Lembro-me que no filme Julia & Julie, há uma cena em que a Julia está fazendo uma Tarte Tatin (Torta Francesa de Maçãs, criada pelas irmãs Tatin, quando tentavam preparar uma torta tradicional e "erraram" a receita, deixando de colocar massa no fundo!) e quando vai desenformar a torta e ela se desmancha... Ela simplesmente "ajeita" o formato da torta, vira para as amigas e diz que nunca se deve pedir desculpas quando uma receita não dá certo... rs... Afinal, até uma torta despedaçada pode ser deliciosa!!!

Fui procurar a receita da própria Julia e encontrei o vídeo em que ela faz a tal torta! São 30 minutos e, para quem não tiver paciência, vou contar o que acontece!


french_chef_disc_3-3_Apple_Dessert por sambitd

 Lá pelos 17:40 minutos do filme, depois de preparar a massa, cortar as maçãs, montar a torta da frigideira e levá-la ao forno, ela "vira" a torta ainda quente e... tudo desmorona!!! Achei o máximo a presença de espírito dela "ajeitando" todas os pedaços de maçã que despencaram de volta para cima da massa!! Vale a pena assistir! rs!!

Mas, embora seja fã da Julia e de seu jeito prático e engraçado de explicar as receitas, decidi que esta não era a melhor receita! E até fiquei com uma dúvida! Se ela estava colocando as maçãs ainda cruas, com manteiga e açúcar e a massa também crua por cima, levando tudo ao forno, porque estava utilizando uma frigideira e não uma forma??

Continuei a minha pesquisa e achei um site americano, com uma receita de Tarte Tatin um pouco diferente, onde as maçãs eram caramelizadas na frigideira antes de se colocar a massa por cima e levar tudo ao forno! Isso fez mais sentido para mim, principalmente pensando no meu "benchmarking", a sobremesa do Le Vin!

Quando comprei minha frigideira Bialetti, que também pode ir ao forno, duas receitas estavam no meu "radar"... A Frittata e a Tarte Tatin. Ambas começam o cozimento no fogão e depois vão ao forno.

E a massa utilizada nesta receita, eu fiz há uma semana, quando preparei umas forminhas de torta para rechear... Já estava na geladeira e foi só abrir! Prático isso, não? Aliás, esta massa é básica para qualquer tipo de torta e fica super crocante!

Tarte Tatin da Bia

Massa
  • 150 gr de farinha de trigo
  • 75 gr de manteiga
  • 20 gr de ovo (cerca de meio ovo)
  • 20 gr de leite
  • 15 gr de açúcar
  • 1 gr de sal
Recheio
  • 5 a 6 maçãs Fuji
  • 3/4 xícara de açúcar
  • 100 gr de manteiga
Comece preparando a massa. Misture a manteiga cortada em cubinhos e a farinha de trigo com as pontas dos dedos, até formar uma farofa. Junte o açúcar, o sal, o ovo e o leite, misturando rapidamente com as mãos. Assim que der "liga", embale e coloque na geladeira por 2 horas (não sove demais). Se quiser apressar, coloque 20 minutos no freezer.

Pré aqueça o forno a 190 graus. Descasque e corte as maçãs em 8 pedaços.


Em uma frigideira que pode ir ao forno, prepare o recheio: aqueça levemente a manteiga, até derreter.


Desligue o fogo e misture o açúcar.


Arrume bem as maçãs no fundo da frigideira.

Leve ao fogo alto por 10 minutos para caramelizar.

Desligue o fogo e vire os pedaços de maçã para caramelizar do outro lado. Deixe no fogo por mais 5 minutos.

Abra a massa com um rolo, formando um círculo do tamanho da frigideira.

Cortando a massa da Tarte Tatin
Cubra o recheio, faça furinhos na massa e leve ao forno por 20 minutos.

Tarte Tatin pronta para assar

Tarte Tatin no forno
Deixe esfriar por 30 minutos. Vire rapidamente a frigideira em um prato grande e reze para dar certo! rs...
Tarte Tatin pronta para ser virada

Tarte Tatin após ser virada
Ajeite os pedaços de maçã e sirva morno, com sorvete de creme, calda de baunilha, chantilly ou creme confeiteiro!

Tarte Tatin já arrumada
É um absurdo de gostoso! O Alê chegou a dizer que era a melhor sobremesa que ele já provou... "Melhor que a do Le Vin". A Marina, que não gosta de torta de maçã, teve que admitir... Tia, está uma delícia! E saiu rápido da mesa para não cair na tentação de mais um pedaço!!

Fiquei tão feliz!! Desafio cumprido!! E Bón Appetit!!

Tarte Tatin da Bia!!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

DESAFIO: Comparar dois restaurantes árabes da região da Paulista!

Coincidentemente, na mesma semana, fui a dois restaurantes árabes na região da Av. Paulista... O Folha de Uva, famoso, conceituado, refinado... E o Tâmara Café, restaurante simples, familiar, que só abre para o almoço...


Em uma terça feira à noite, fomos jantar no Folha de Uva. Pedimos o buffet completo, com saladas, pratos quentes e sobremesas:

Esfihas e kibes do Folha de Uva
 As esfihas estavam razoáveis, mas um pouco secas... O kibe eu não provei, porque não gosto muito de fritura... rs

As saladas: tabule e kibe cru
O buffet de saladas tinha o tradicional tabule, com muita salsinha e pouco trigo (o que não é ruim, só é diferente do que estamos acostumados), e o kibe cru, meu prato preferido da cozinha árabe... Comi com bastante hortelã e evitei a cebola (não que eu não goste, mas deixa um "bafinho"...  e meu maridinho não merece! rs). Estava bem gostoso! Também comemos as tradicionais pastinhas (babaganuche, coalhada seca e homus). Até aqui, nada de diferente de tantos outros restaurantes árabes...

Pratos Quentes: Moussaka, charutinho, músculo com quiabo
e arroz com lentilhas
Chegou, então, a hora dos pratos quentes... Decepcionei-me um pouco com a "variedade" (eram somente 5 tipos de prato, incluindo dois tipos de arroz), mas fiquei feliz quando vi a Moussaka! Adoro Moussaka, apesar de achar um pouco estranho encontra-la em um restaurante árabe!! Moussaka não é grega??

Mas, independentemente de ser árabe ou grega, a Moussaka é deliciosa! E eu caprichei na porção! Além da moussaka, me servi de um charutinho (só para experimentar) e do arroz marroquino... Ah! Tinha também um músculo cozido com quiabo! Será que isso também é árabe?? O garçom me enrolou e não soube dizer...

Voltamos à mesa, e o Alê também havia caprichado na Moussaka. Antes de provar, pensei: "Este pode ser mais um desafio gastronômico: Fazer a Moussaka do Folha de Uva", pois parecia muito apetitosa, recém saída do forno!

Mas, quando provamos, tivemos a mesma reação: URG!! Estava horrível! A carne estava com gosto forte, com sabor de sebo... um horror! Lembrou-se até de uma tentativa frustrada minha de fazer costela de boi... Ficou horas no forno, com direito a foto de passo a passo, tudo preparado para um lindo post no blog... E a carne estava horrível! Passada, velha, ensebada... Um horror...

Como dizem que toda reclamação é um "presente" (quem inventou esta frase ou nunca recebeu uma reclamação, ou nunca ganhou um presente de verdade... rs), decidimos "presentear" o Folha de Uva com nossa opinião sobre a tal Moussaka. Chamamos o garçom e o Alê, com toda sua elegância, comentou que o prato devia estar com algum "probleminha", pois o sabor não era o esperado... O garçom foi prová-lo e voltou dizendo: "Senhor, este é o gosto da nossa Moussaka mesmo!"

Ficamos olhando para ele, sem palavras... Acho que nossa expressão foi tão espantada que ele resolveu falar com o dono, que veio a nossa mesa... Repetimos a opinião e ele nos pediu uma "segunda chance": iria preparar uma porção especial da Moussaka, com outra carne, menos gordurosa... Depois de uns 15 minutos, veio o prato:


Moussaka, tentativa número 2
 Apesar de lindo, infelizmente, não havia muita diferença do outro que provamos... Continuava com sabor forte de sebo de carne... que decepção...

Decidimos afogar as mágoas no buffet de sobremesas. E lá fomos nós:

Sobremesas do Folha de Uva
 Ponto positivo para o Folha de Uva: estavam uma delícia! Não me lembro o nome daquele creme de semolina com calda de damasco, mas comi com muito gosto!! humm!! Mesmo com as almas adoçadas, a conta, quando veio, caiu bem salgada... Quase R$ 150,00 para duas pessoas! E sequer pedimos alguma bebida alcoólica!
De volta para casa, já no carro, o Alê comentou comigo... Acho que não vamos voltar mais lá... E eu concordei...

No dia seguinte, quarta feira, decidimos almoçar em outro restaurante árabe, o Tâmara Café. A proposta é totalmente diferente! Pequeno, simples, caseiro, familiar, só para o almoço e lotado!! Dona Sueli, a dona, cuida diretamente da cozinha, de onde saem delícias como as esfihas (de carne, ricota, verduras...):


O Alê, que resolveu começar um regime, depois da árdua tarefa de ser o meu "provador oficial" dos desafios gastronômicos, pediu um prato bem light, Michui de Frango com Salada Fatuche (que ele comeu com muito gosto):


E eu, pedi o "prato do dia": A famosa Feijoada Moura, feita de grão de bico e paio, cozidos lentamente e acompanhados de arroz marroquino. Simples e divino!! Vejam que até as fotos não sairam muito boas, tanto era a pressa de começar a comer logo!! rs

A Feijoada Moura da Dona Sueli

Arroz Marroquino

Meu marido é fã do Tâmara e da Dona Sueli há muito tempo. Eu, prá falar a verdade, tinha até um certo "preconceito"... Mas tive que me render!! E fiquei, mais uma vez, impressionada com a qualidade da cozinha do Tâmara... Com toda a sua simplicidade, havia dado um banho no renomado Folha de Uva!! E por um terço do preço. Não é incrível?? E olhem que eu nem mencionei o Ataife (acho que é assim que se escreve), um pastel recheado de nozes e coberta com mel e calda de rosas... Mas, como sou uma boa esposa, evitei pedir sobremesa, pois sei que ele não resiste a um docinho! Mas, se forem ao Tâmara, não deixem de provar!! Bón Appetit!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

DESAFIO: Provar o saboroso PF da Dona Marta, na longínqua praia da Parnaioca!

Há alguns lugares que são “encantados”... Todas as vezes que tentamos chegar até ele, algo acontece... A Praia da Parnaioca é um destes lugares... Localizada no lado “de fora” da Ilha Grande, é vizinha da praia do Leste e do Sul e a Praia de Dois Rios...

Ouvíamos tanto falar nas suas águas claras, nas suas areias brancas e macias, em seu pequeno e receptivo povoado, mas nunca conseguíamos completar nossa viagem até lá... Ora porque é longe... Ora porque o tempo não estava favorável... A Parnaioca era nosso destino no último feriado, o Carnaval... Fomos com o Black Swan (nosso lindo veleiro preto) até a Ilha Grande, chegamos até a ponta dos Meros, mas o vento sudoeste não nos deixou seguir em frente... Aliás, pernoitar na Parnaioca exige condições especiais de vento e mar... Por isso é um local tão “encantado”...

Mais um feriadão chegou, a Páscoa, e novamente nosso destino era a Parnaioca (prá falar a verdade, eu estava até com receio de me decepcionar, dada a elevada expectativa que este destino estava causando!).

A previsão do tempo era, finalmente, otimista... Céu sem nuvens, mar e vento favoráveis... Saímos de Paraty rumo à Ilha Grande, acompanhados do Veleiro Filho do Vento, dos nossos amigos Murilo e Mariza. Os outros veleiros da turma, o Vento, o Skua e o Xupolho (uma linda e romântica homenagem a dois dos mais expressivos ingredientes da nossa culinária – o Xuxu e o Repolho), estavam algumas milhas à nossa frente, rumo ao mesmo destino.

Tivemos alguns percalços no caminho e o vento não estava tão favorável assim, o que nos fez atrasar um pouco o horário de chegada... Depois de um pôr do sol espetacular, decidimos parar na Praia dos Meros para o pernoite, pois a entrada na Parnaioca, um local ainda desconhecido para os comandantes do Black Swan e do Filho do Vento, não era recomendável no escuro...

Dia seguinte, acordamos bem cedo, com o sol iluminando tudo... Como a Praia dos Meros é linda!! Conseguíamos ver o fundo de areia, com mais de 10 metros de profundidade!

Partimos para a Parnaioca e, menos de uma hora depois, chegamos (finalmente!) ao nosso tão esperado destino! O Vento e o Skua já estavam ancorados por lá!

O medo da decepção desapareceu imediatamente! Que lugar especial! E que bom que é tão difícil chegar lá... Talvez, por isso, esteja tão preservado! Difícil, também, é acreditar que a Parnaioca já foi um dos maiores povoados da Ilha Grande, com mais de 1000 habitantes...


Escondida atrás de uma espessa vegetação, há uma pequena estrada de areia que corre em paralelo ao mar... Este é o acesso para uma pequena igreja, um pequeno cemitério, o camping do “Seu” Sílvio com 17 barracas (isso mesmo, nem 16, nem 18... 17 barracas, limitadas e controladas pelo IBAMA) e a casa da Dona Marta... Da praia, via-se uma pequena e singela placa: “Prato Feito” da Dona Marta.

Minha curiosidade gastronômica aguçou-se automaticamente! Precisava conhecer a Dona Marta e seu PF!

Caminhamos para dentro da estradinha e logo chegamos a uma casa simples,  com uma varanda e uma mesa rústica com bancos, onde 4 jovens, provavelmente hóspedes do camping, tomavam café da manhã... Dona Marta, uma simpática senhora, estava servindo a mesa e logo os jovens começaram a elogiar a “comidinha caseira” servida ali, todos os dias. Perguntei como era o PF: “arroz, feijão preto, farofa, salada e peixe frito”, tudo feito no fogão a lenha, por R$ 14,00 por pessoa! O dia, para comer peixe, não podia ser mais propício, Sexta Feira Santa! Reservamos nossos “PFs” para uma hora mais tarde...

Chegamos uns 15 minutos mais cedo e nos sentamos em uma das 2 mesas de um pequeno quiosque coberto de lona plástica azul e sacos plásticos cheios de água pendurados sobre a mesa (achei um tipo de decoração bem alternativo, mas depois descobri que os sacos estavam lá para “espantar os mosquitos”... Não me pergunte como, mas parece que funciona!!)...



De lá, dava para ver a Dona Marta preparando o almoço em seu fogão a lenha... E faz tudo sozinha! Segundo ela mesmo diz, "tem que cozinhar, servir as mesas, e ainda bater papo e ser simpática com os fregueses"!


O aroma da lenha queimada no fogão a lenha me fez lembrar minha infância... Os finais de semana que passávamos no nosso sítio em Juquitiba, a casa do caseiro, onde a Dona Rosa, nossa caseira, cozinhava em seu fogão a lenha... Era uma atração para as crianças! Ficávamos o dia todo por perto, tanto que, no final do dia, quando voltávamos para casa, minha mãe dizia: “Todo mundo para o banho, tirar este cheiro de murrinha!! Até hoje não sei a origem desta palavra, mas descreve o cheiro de quem ficou perto do fogão a lenha o dia todo, depois de brincar e transpirar muito!

Quando a comida chegou, deu para perceber o carinho e dedicação daquela senhora simples, em um lugar tão distante e isolado, com seus “fregueses”: um prato com arroz feito na hora, feijão preto fresquinho e bem temperado... Um prato de salada de alface, cenoura e feijão fradinho... E os peixes fritos ("vermelhos"), inteiros, fresquíssimos, pescados no dia anterior...

É fácil pensar em um desafio gastronômico quando se pretende provar uma comida da alta gastronomia... Há dezenas de restaurantes que servem pratos elaboradíssimos e caríssimos... Basta querer gastar seu dinheirinho e o desafio está resolvido!

Mas este desafio foi diferente! Provamos uma refeição que Dona Marta faz para sua família e que, como meio de sobrevivência em um local tão ermo, sem energia elétrica, sem transporte rotineiro, a 5 horas de caminhada do porto mais próximo, serve os turistas que, como nós, tem o privilégio de visitar este lugar mágico, a Parnaioca!!

Obrigada pela recepção, Dona Marta! E parabéns pelo capricho e qualidade do seu PF! Além da bela paisagem desta linda praia, sua comidinha caseira ficará na nossa memória!