domingo, 26 de agosto de 2012

DESAFIO: Virar uma "camponesa francesa" e preparar um Cassoulet com Confit de Canard!

Cassoulet
O Confit de Canard, ou Pato Confitado, foi um dos desafios mais complicados e demorados que fiz... E, em minhas pesquisas gastronômicas, descobri que o tal pato também é um dos ingredientes principais de outro prato tradicional da cozinha francesa... o Cassoulet! Além do confit, o cassoulet é um cozido de feijão branco que leva também embutidos e carnes de porco. É outro prato que exige paciência... O cozimento é lento, feito em várias etapas e, para um melhor resultado, deve ser preparado no dia anterior para ficar ainda mais saboroso...

Buscando as origens do prato, temos que voltar à época medieval, onde os camponeses franceses cozinhavam as carnes de caça com favas... Com a conquista do Novo Mundo no século XVII, chegou um novo ingrediente à França proveniente do México: o feijão branco, que foi incorporado ao preparo do prato.

O nome cassoulet vem de "cassole" que significa caçarola, o recipiente de barro em que o prato é feito e que lhe confere um sabor especial quando preparado também em um forno ou fogão a lenha. De região para região na França, há algumas variações dos tipos de carne, ingredientes e forma de preparo. Para saber mais sobre a história do Cassoulet, clique aqui. Também encontrei este artigo, da Menu Experimental, sobre a evolução da culinária francesa, muito interessante.

A receita escolhida foi a do blog Comer Bem em Casa, pois levava o Confit de Canard e estava muito bem explicada. É possível fazer variações no prato, principalmente no caso do pato, que é caro e de difícil preparo e pode ser substituído por frango assado ou cozido. Mas não substitua a banha de porco... A tentação é grande, por tudo o que ouvimos sobre gordura saturada, colesterol, alimentação saudável... Mas uma vez na vida não vai matar ninguém, não é mesmo?? Além de degustar um prato saborosíssimo, clássico e rústico que remete à essência e aos primórdios da gastronomia, você entenderá, na pele, como era a vida de uma camponesa francesa... Começando por limpar e confitar a caça trazida pelo marido semanas antes... Depois, salgar as carnes de porco e preparar os embutidos... terminando por cozinhar tudo em seu fogão à lenha, lentamente, durante todo o dia... E servi-lo para sua família esfomeada, que passou o dia todo na lavoura e que aquecerá o estômago e o coração com esta refeição acolhedora...

A Festa de Babette
Como vocês podem perceber, fazer um Cassoulet é uma experiência quase mística, mas, no meu caso, tive que fazer algumas pequenas "simplificações"... O pato foi comprado congelado no mercadão (o Alê estava sem tempo de ir caçar pato nestes dias...), os embutidos foram comprados no supermercado (que vergonha, não preparei em casa, não curto muito matar o porco com minhas próprias mãos...), o fogão era a gás e o forno, elétrico (a lenha faz muita fumaça e a casa toda fica cheirando bacon...) E a panela não era de barro (utilizei a minha Mario Batali, de ferro mesmo)...

Mas a parte do preparo cuidadoso e da refeição acolhedora, que recebe a família e os amigos para um momento especial ao redor da mesa, isso sim foi igualzinho!!! Além do Cassoulet, estrela da festa, a entrada foi uma Quiche de Alho Poró e os acompanhamentos, Arroz Branco e Batata Sautée. Como sobremesa, uma Torta de Maçã bem rústica!

E foi assim que eu me senti a própria Babette, uma cozinheira francesa habilidosa que prepara um banquete maravilhoso para seus patrões e convidados, a Festa de Babette! Para ver um trecho deste filme clássico, que é uma ode ao maravilhoso ato de cozinhar e servir, clique aqui!

Cassoulet com Confit de Canard

  • 1kg de feijão branco
  • 400gr de bacon
  • 400gr de costelinha
  • 400gr de linguiça toscana
  • 400gr de lombo de porco
  • 2 coxas/sobrecoxas de pato em pedaços (confit)
  • 6 dentes de alho
  • 4 cebolas
  • alecrim
  • 2 folhas de louro
  • tomilho fresco
  • alecrim
  • 1 xícara de banha de porco (utilizar a do confit, se tiver)
  • sal e pimenta de reino a gosto

Deixe o feijão de molho de um dia para o outro. Tire a água do molho e coloque em uma panela grande com 100gr de bacon, toda a costelinha (corta em pedaços grandes), 3 dentes de alho inteiros e 1 cebola cortada em 8 pedaços, as ervas (tomilho, louro, alecrim), sal e pimenta do reino. Cozinhe em fogo baixo, com a panela tampada por 1 hora e meia (ou até o feijão ficar cozido e al dente).

Corte as carnes em pedaços de 3cm. Aqueça uma frigideira grande e coloque 2 colheres de sopa da banha de porco. Frite as linguiças, depois o lombo, reserve. Na mesma gordura, frite a cebola restante (3) e o alho em fatias (3) até ficar dourado. Bata a cebola e o alho no liquidificador com o restante da banha até formar uma pasta.

Coe o feijão e descarte as ervas e a cebola. Reserve a água do cozimento. Em uma panela de ferro ou barro, coloque uma camada do bacon restante cortado em cubos, 1/3 do feijão cozido, metade das carnes fritas e metade do confit. Cubra com metade da pasta de cebola. Coloque mais 1/3 do feijão, a carne e o confit restantes. Cubra com o restante da pasta de cebola e, por último, o restante do feijão. Complete com a água do cozimento até quase cobrir todo o feijão (reserve o que sobrar da água para o dia seguinte). Tampe a panela com papel alumínio e leve ao forno médio (180 graus) por uma hora. Abaixe o fogo para 130 graus e cozinhe por mais uma hora. Esfrie e leve para a geladeira até o dia seguinte.

Para aquecer novamente, leve ao forno médio, colocando um pouco da água do cozimento reservada. Quando borbulhar, está pronto.






Bón Appetit!!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

DESAFIO: Fazer o bolo mais famoso da Áustria, a Sacher Torte!

A minha Torta Sacher (Sachertorte)
Semanalmente, no escritório, fazemos uma reunião de equipe para repassar a semana e planejar a semana seguinte... É o horário da semana em que estamos todos juntos e, para "estimular" ainda mais a participação e a presença de todos, nada melhor que uns quitutes feitos em casa!! Cupcakes, cookies, muffins, entremets... Cada semana é uma novidade para ser degustada!

E quando há um aniversário, o meu presente para o aniversariante é um bolinho by Desafios Gastronômicos! Já levei Bolo de Ricota com Blueberries, Entremet de Bananas... E foi pensando em um bolo de aniversário que lembrei da Torta Sacher (ou Sachertorte) que, na verdade, não é uma torta, e sim um bolo feito com uma massa leve de chocolate, recheado de geléia de damasco e coberta com uma fina camada de chocolate amargo! Típica da Áustria, a Sachertorte leva este nome por ter sido criada em 1832 no Hotel Sacher que, atualmente, é um badaladíssimo ponto turístico e gastronômico por conta de sua invenção, cuja receita é mantida a sete chaves! Olhem que lindo é o selo de chocolate e a caixa de madeira onde a torta é acondicionada! Charme total!!

Procurando informações sobre a história e sobre a receita, acabei caindo no blog da minha amiga Fabi Artmann, o www.frigideiras.com! A receita parecia ótima e lá fui eu testar!

Chocolate Callebaut e Geléia de Damascos dinamarquesa
Além da forma de preparo cuidadosa, que exige alguma técnica e equipamento, os ingredientes de qualidade são fundamentais para o sucesso da receita. No caso da Torta Sacher, um chocolate de primeira (utilizei o belga Callebaut, que já foi tema de um post) e uma geléia de damascos de primeira (a escolhida foi a dinamarquesa, especialmente comprada para este fim). A receita encontrada era suficiente para um bolo grande, de 26cm... Decidi fazer dois bolos, um de 20cm (para o aniversário) e um menor, de 12cm, para o pessoal de casa!

O bolo foi um sucesso! A massa é muito macia, o damasco é um excelente contraponto para o chocolate e a cobertura, de chocolate amargo, é consistente e macia ao mesmo tempo! Não consegui a perfeição da cobertura da torta original, mas ficou bem bonita!!

Dica importante: não servir gelada (deixar em temperatura ambiente por uma hora antes de servir), pois a massa endurece!

Sachertorte (Torta Sacher)

Para a massa
  • 200gr de chocolate amargo
  • 120gr de manteiga
  • 8 gemas
  • 1 colher de chá de essência de baunilha
  • 10 claras
  • 150gr de açúcar
  • 120gr de farinha
Para o recheio
  • 300gr de geléia de damasco
Para a cobertura
  • 200gr de chocolate amargo (ou 300gr de for fazer 2 bolos)
  • 60gr de manteiga (ou 90gr, se for fazer os dois bolos)
  • damascos secos (para decorar)
Aqueça o forno a 180 graus. Unte bem com manteiga uma forma redonda de 26cm (ou uma forma de 20cm e outra de 12cm). Derreta o chocolate com a manteiga em banho maria. Deixe esfriar. Bata as claras em neve, junte o açúcar e bata até ficar bem firme. Misture as gemas e a baunilha no chocolate derretido. Misture 1/3 das claras em neve na mistura de chocolate e incorpore delicadamente. Polvilhe na misture um pouco da farinha de trigo. Junte esta mistura ao restante das claras em neve e misture delicadamente, acrescentando também o restante da farinha. Coloque na forma (ou nas duas formas) e leve para assar por 45 minutos.

Retire do forno, deixe esfriar bem. Corte o bolo ao meio, recheie com a geléia de damasco, monte o bolo e prepare a cobertura: derreta o chocolate e a manteiga em banho maria. Espalhe a cobertura por todo o bolo. Decore com os damascos secos. Deixe gelar por 3 horas na geladeira antes de servir.







terça-feira, 21 de agosto de 2012

DESAFIO: Divulgar a melhor Feijoada do mundo!! A da minha mãe!!

A Melhor Feijoada do Mundo, a da minha mãe!!
Desculpem-se os restaurantes como o Bolinha, o Figueira Rubayat e outros que já receberam menções honrosas e prêmios por suas badaladas e caras feijoadas, mas, feijoada boa mesmo é a da minha mãe!!! Só carnes nobres,  dessalgadas sem pressa, cozidas lentamente com a gordura excessiva sendo cuidadosamente retirada... E depois, com o feijão preto, terminar o seu cozimento para formar esta mistura tão especial e tão brasileira!! E os acompanhamentos?? Um melhor que o outro... Arroz branquinho, com gosto de arroz de mãe (nada de arroz "de plástico", como é o parboilizado...), farofa crocante, a couve fininha, refogada levemente com um toque suave de alho e azeite... O molhinho de pimenta, feito com o caldo do feijão, cebola, salsinha picada e, é claro, um toque de pimenta vermelha para aquecer ainda mais nosso apetite! Por último, aquele toque light de toda a feijoada, para amenizar o peso na consciência e nas calorias... fatias de laranja pera, levemente ácidas, levemente adocicadas, para "quebrar" gentilmente o sabor defumado do feijão preto...

E esse foi o presente que meu pai recebeu no último Dia dos Pais! Não só ele, todos nós convidados para este banquete!! Minha mãe é daquelas cozinheiras habilidosas que, às vezes, acha que está "perdendo a mão"... Ainda não sei se é charme ou humildade... Em qualquer um dos casos, o mais importante é continuar fazendo sempre estes pratos maravilhosos! Assim você não perde a mão, não é, mãe??

E para quem ainda não se aventurou a fazer uma bela feijoada em casa, segue a receita gentilmente cedida por minha mãe (que a entregou em um papel escrito com sua letra caprichada, de quem é do saudoso tempo em que se tinha aula de caligrafia na escola...):

Feijoada da Nilza (para 10 pessoas)

  • 1 kg de feijão preto (deixado de molho de véspera)
  • 3 kg de carnes para feijoada:
    • carne seca
    • lombo salgado
    • costela salgada
    • costela defumada
    • linguiça portuguesa
    • linguiça calabresa
    • paio
  • 3 dentes de alho picados
  • 1 cebola picada
  • 2 folhas de louro
  • óleo
  • sal a gosto (só no final)
Deixe o feijão de molho na véspera. Também no dia anterior, deixe de molho as carnes salgadas (carne seca, lombo e costela salgada).
No dia seguinte, cozinhe o feijão na panela de pressão grande (7 litros) por cerca de 20 minutos. Afervente as linguiças e descarte a água do cozimento. Cozinhe a carne seca, o lombo, as costelas em panela de pressão por uns 45 minutos. Descarte a água do cozimento.
Em uma panela bem grande, junte o feijão e as carnes já cozidas. Prepare o tempero, fritando o alho e a cebola no óleo até dourarem. Jogue sobre o feijão e deixe ferver até apurar o caldo. Acerte o sal.

Sirva com arroz branco, couve manteiga refogada, farinha de mandioca torrada, molho de pimenta (feito com o caldo do feijão, cebola crua picada, salsinha picada, sal e pimenta vermelha) e gomos de laranja.





Agradecimentos especiais também ao meu pai, que tirou as fotos da preparação da feijoada e ao Alê, que tirou a foto de família, com habilidade de também sair nela! Estão vendo uma pessoa com o braço levantado no espelho da sala de jantar? É ele!! rs

terça-feira, 14 de agosto de 2012

DESAFIO: Encarar o longo processo de preparação de um Confit de Canard!

Confit de Canard com Purê de Mandioquinha
e Tomatinhos Cereja
Se este não foi o desafio mais complicado que já encarei, certamente foi o mais demorado! Que paciência é preciso ter para preparar um Confit de Canard!!

Confit significa "conserva". Canard significa "pato". O processo de confitar uma carne consiste em cozinha-la lentamente em sua própria gordura por horas e depois guardar os pedaços de carne em sua própria gordura por até 1 ano! Era a forma de conservar as carnes quando não havia geladeira.

E, nos dias de hoje, onde refrigeração não é mais um problema, o Confit de Canard (Pato Confitado) virou uma especialidade gourmet, servida em bons restaurantes com inspiração francesa. E eu aqui, inventando de fazer isso em casa!! rs

Além de um preparo demorado (no mínimo 1 a 2 semanas antes do dia em que você pretende servir o prato...), não é em qualquer lugar que se encontra coxa/sobrecoxa de pato... Eu encontrei no Mercado de Santo Amaro e paguei uma pequena fortuna por elas... R$ 80,00 por 6 sobrecoxas!

A gordura indicada é a do próprio pato... A segunda opção é a banha de porco, conforme explica Claude Troigros em sua receita de Confit de Canard. Até encontrei gordura de ganso, no Empório Santa Luzia, mas 350 gramas custavam R$ 28,00... Façam a conta para chegar aos 2 quilos da receita... Aff!

Optei pela banha de porco e esta foi mais fácil de achar: no supermercado, na seção de manteigas e margarinas! rs... Foi a primeira vez que comprei este ingrediente... Nunca me imaginei cozinhando com banha de porco... Estes desafios me levam a limites nunca imaginados! rs

Depois de uma marinada seca (sal grosso e ervas) por 24 horas, o processo de cocção é a "chave do sucesso" do confit... A gordura não pode passar dos 90 graus durante 3 a 4 horas... Não pode nem borbulhar... Deve cozinhar lentamente, muito lentamente a carne do pato... Agora, você pensa que é fácil conseguir que a sua gordura fique estabilizada em 90 graus?? Isso me deu o maior trabalho!! Fiquei um tempão medindo a temperatura até que percebi que, mesmo no fogo mais baixo do meu fogão, a temperatura chegava a 100 graus! Uma catástrofe!!

Fui pedir ajuda ao meu marido... E ele chegou a conclusão que eu precisava afastar mais a panela do fogo... Colocando um suporte de metal ou algo assim... Foi aí que eu tive a ideia de colocar outro suporte do fogão por cima do suporte atual! Sucesso total!!! A temperatura ficou entre 85 e 90 graus!


Depois de cozinhar, esfriar e acondicionar as coxas de pato em potes herméticos cobertos pela própria gordura do cozimento, era hora de sentar e esperar... Tive bastante tempo para idealizar os acompanhamentos do prato, para o grande dia em que seria servido... Minha maior preocupação era o excesso de sal... Tive a impressão (depois de provar um pequeno pedaço), que o canard havia ficado salgado demais... E isso tirou meu sono! Quando pensei nos acompanhamentos, pensei em um purê de batatas... Aí troquei para um purê de mandioquinhas... Adoro a cor e o sabor adocicado... Imaginei que ficaria ótimo com uma carne forte, de caça... Para finalizar, uns tomatinhos cereja (para dar o tom vermelho ao prato) e galhos de alecrim (para o tom verde)... Como tive tempo, muito tempo (rs), acabei incrementando os tomatinhos cereja, que viraram Tomatinhos Confitados (clique aqui para ver a receita, que também deve ser preparada com um ou dois dias de antecedência...).

No grande dia, pedi ao Alê que escolhesse um vinho de nossa pequena adega... O escolhido foi um  tinto italiano, Renato Ratti Barbera D´alba 2010, que combinou muito bem com o sabor forte do pato.

Foi também um pouco antes do jantar que pensei na sobremesa... Frutas Vermelhas marinadas no Vinho Tinto. Aproveitei frutas congeladas (framboesas e blueberries) e uma bandeja de morango fresco... A base da sobremesa foi uma massa de biscuit (sobras de massa de entremets que cortei em pequenos discos e congelei - extremamente prático!!) embebida em vinho do porto, as frutas vermelhas marinadas (por uns 30 minutos, no mínimo) e coberta com chantilly e hortelã. Lindo!!!

Bom, no total, foram 10 dias de preparação! Vejam, abaixo, a retrospectiva, as receitas e o passo a passo desta aventura gastronômica!

Retrospectiva do Confit de Canard


  1. Dia 0, 12h - Compra dos ingredientes no Mercadão... Coxas de Pato (congeladas) e banha de porco
  2. Dia 0, 18h - Coxas descongeladas, colocadas na marinada de sal grosso, alecrim, louro e tomilho
  3. Dia 1, 18h - Início do cozimento na banha de porco, a 90 graus
  4. Dia 1, 22h - Término do cozimento
  5. Dia 2, 7h - Coxas totalmente cobertas por gordura colocadas na geladeira, em potes herméticos
  6. Dia 8, 12h - Compra das mandioquinhas e dos tomatinhos cereja
  7. Dia 9, 18h - Preparação dos tomatinhos cereja confitados (clique aqui para ver a receita)
  8. Dia 10, 19h - Início da preparação do purê de mandioquinha (45 minutos)
  9. Dia 10, 19:30h - Preparação das frutas vermelhas marinadas e do chantilly
  10. Dia 10, 20h - Início da preparação das coxas: retirar da gordura, aquecer o forno, deixar tostar por uns 15 a 20 minutos
  11. Dia 10, 20:15h - Escolha do vinho (Alê), um italiano Renato Ratti Barbera D´alba 2010, indicado para carnes mais fortes e queijos curados.
  12. Dia 10, 20:30h - Montagem dos pratos com a mousseline de mandioquinha, o confit de pato grelhado por cima e a decoração de tomatinhos confit. Finalizar com galhinhos de alecrim
  13. Dia 10, 21:00h - Montagem das Tacinhas de Frutas Vermelhas com Vinho do Porto!

Confit de Canard (Pato Confitado)

  • 6 coxas/sobrecoxas de pato
  • sal grosso (cuidado para não salgar demais...)
  • alecrim fresco a gosto
  • tomilho fresco a gosto
  • 2 folhas de louro
  • 2 kg de banha de pato ou de porco


Purê de Mandioquinha

  • 500gr de mandioquinha
  • 1/2 xícara de creme de leite
  • 1/2 xícara de leite (ou mais, se necessário)
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • sal a gosto


A montagem do prato: coloque 2 colheres grandes do purê de mandioquinha e por cima o confit. Decore as laterais com o tomatinho confitado. Decore com alecrim fresco.

Tacinha de Frutas Vermelhas com Vinho do Porto

Para as frutas marinadas
  • 10 morangos
  • 1 porção de blueberries
  • 1 porção de framboesas
  • 1/2 xícara de vinho do porto
  • gotinhas de baunilha
  • 1 colher de sopa de açúcar
  • 2 bases de biscuit (ou 2 biscoitos champagne despedeçados)
para o chantilly
  • 100ml de creme de leite
  • 1 colher de sopa de açúcar confeiteiro
  • gotinhas de baunilha
  • folhas de hortelã para decorar



O jantar foi muito especial... O Alê é maravilhoso, adora tudo o que eu faço... Elogia, comenta, descreve os sabores, sugere avanços... Como é gostoso ficar conversando, apreciando uma boa comida e um bom vinho com quem você ama... Até parecia que havia alguma uma comemoração especial! E havia mesmo! Estávamos provando o meu primeiro Confit de Canard!! rs

Embora estivesse tudo lindo e maravilhoso, vocês já perceberam que eu sou perfeccionista... E o Confit realmente ficou salgado, como eu temia ...

E ainda tenho 4 coxas do Canard... Mas o Plano B já está montado: eles vão participar de um outro desafio, também da culinária francesa "rústica"... O Cassoulet!! Aguardem!! Já imaginaram um prato que começa com o preparo com um Confit de Canard??

Bón Appetit!

domingo, 12 de agosto de 2012

DESAFIO: Fazer suspiros marmorizados!

Suspiros Marmorizados
Que tal suspiros com um leve toque de chocolate para acompanhar um cafezinho ou para acompanhar uma porção de morangos frescos?

Como faço muitas receitas que levam gemas, vou guardando as claras na geladeira e uma das formas de utilizá-las é fazendo suspiros... Mas eu queria fazer um suspiro diferente... Lembrei-me, então, do curso de Entremets quando o professor nos ensinou a fazer uns suspiros com o merengue que sobrou, acrescentando um pouco de cacau em pó e colocando na forma às colheradas, de forma bem desestruturada e irregular... Apelidei-os de Suspiros de Gaudi, uma homenagem ao famoso arquiteto de Barcelona que utilizou formas orgânicas e assimétricas em sua obra e ao professor do curso, que é espanhol! rs. Com esta ideia na cabeça, preparei o merengue (a versão suíça, onde as claras são cozidas até 60 graus antes, para tirar o cheiro e gosto de ovo) e utilizei o maravilhoso cacau em pó da Callebaut (100% cacau!). Na hora de colocar os suspiros na forma, minha predileção por simetria (dizem até que é TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo... rs) não me permitiu fazer os formatos desestruturados de Gaudi... Acabei fazendo pequenas gotas no saco de confeitar, todos iguaizinhos e simétricos (cerca de 50 suspiros).

Para saber mais sobre as versões de merengue (Francês, Suíço e Italiano) e seus usos e aplicações, clique aqui!

Suspiros Marmorizados


  • 100gr de claras
  • 200gr de açúcar
  • 1 colher de sopa de cacau em pó Callebaut

Aqueça o forno a 100 graus. Leve as claras e o açúcar para o banho maria até atingir 60 graus (você vai precisar de um termômetro digital para isso...). Leve para bater por 12 minutos em velocidade alta.
Com um saco de confeitar, faça pequenas gotas em uma forma grande, forrada com papel manteiga. Leve ao forno por 1 hora. Deixe secar por 24 horas em temperatura ambiente.



Ficaram deliciosos! Crocantes por fora, macios por dentro, levemente "puxa-puxa"! O efeito "marmorizado" ficou lindo, com os veios de chocolate! Levei para o almoço de Dia dos Pais na casa de meus pais e servimos ao final da refeição, com o cafezinho! Aí, meu pai chegou, olhou para a caixinha e perguntou: "O que é isso, filha, alho???" Quase tive uma síncope de tanto rir... Não é que parecem mesmo uns dentinhos de alho??? kkkkkkk

Bón appetit!! E, pai, você é muito engraçado!!! Feliz Dia dos Pais de novo!!

DESAFIO: Agradar meu maridão com um Café da Manhã especial no Dia dos Pais!

Café da Manhã para o Alê no Dia dos Pais
Tem homenagem melhor que acordar em um lindo domingo de sol e encontrar uma caprichada bandeja de café da manhã te esperando? Foi assim que meu amor acordou esta manhã do Dia dos Pais! Ele merece! É um pai atento, dedicado, participativo ( e um pouquinho rigoroso também, rs) do Ian, 13 e Marina, 16.

A inspiração deste café da manhã veio do Brunch que tomamos há algumas semanas no Teakettle...
No dia anterior eu havia preparado um Pão caseiro integral (com farinha integral, aveia, linhaça, nozes, passas, açúcar mascavo... a receita está logo abaixo!) e os deliciosos pães de queijo da Vera (clique aqui para ver a receita, excelente!)

Além de boas e caprichadas receitas, o segredo desta homenagem está na apresentação do Café da Manhã!

As geléias e queijos cremosos vem em pequenos ramequins brancos... Os pães, em uma cestinha de vime... O iogurte, em uma pequena jarrinha de porcelana branca... O café, na deliciosa cafeteira italiana e as frutas (morango, maçã, banana), cortadas finamente e decoradas com folhinhas de hortelã em um potinho de cerâmica decorada... A manteiga mereceu vir em sua própria embalagem: Burro Soresina, uma marca italiana, divina!! Para completar, o jogo de café da Oxford (recém adquirido), e um vasinho de flor, com uma orquídea, flor preferida do Alê... Tudo isso em uma bandeja de vime própria para café da manhã! Olha que lindo ficou!!

Um café da manhã caprichado!

Pão Integral com Aveia, Linhaça, Passas e Nozes


  • 100 gr de farinha de trigo integral
  • 50 gr de farinha de linhaça
  • 50 gr de aveia em flocos grandes
  • 300 gr de farinha de trigo
  • 50 gr de nozes picadas
  • 50 gr de passas pretas
  • 1/2 xícara de açúcar mascavo
  • 160 ml de água morna
  • 1/2 xícara de óleo
  • 10 gr de fermento biológico seco (ou 2 tabletes de fermento fresco)
  • 1 colher de chá de sal
  • 2 ovos

Unte 2 formas para pão com óleo. Dissolva o fermento e o açúcar na água morna. Bata no liquidificador a mistura de fermento, o óleo e os ovos. Em uma travessa coloque os ingredientes secos (farinhas, sal, nozes e passas). Vá juntando o líquido aos poucos, mexendo até incorporar bem. Coloque metade da massa em cada forma e deixe crescer por uma hora. Quando dobrar de volume, aqueça o forno a 180 graus e asse os pães até ficarem com casca dourada.




Pão Integral com Aveia, Linhaça, Passas e Nozes
Bón Appetit!!! E Feliz Dia dos Pais a todos os Pais!! (Logo mais irei ver o meu querido pai que vai ganhar um lindo Entremet de Framboesas, feito com muito amor e carinho!!)



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

DESAFIO: Confitar tomates e cogumelos!

Confit de Tomates e Cogumelos
"Confit" significa conserva em francês. Na gastronomia, "confitar" é uma forma de preparo que viabiliza a conservação prolongada dos alimentos como frutas, legumes, carnes...

Meu interesse por "confitagem" começou com uma das receitas mais tradicionais francesas, o Confit de Canard, ou Pato Confitado (que virará um post em breve, muito breve!). Carnes são confitadas normalmente em sua própria gordura; frutas são confitadas em caldas de açúcar e legumes são confitados em azeite! Se bem acondicionados, os "confit" podem durar meses e era a forma que se tinha, antigamente, de conservar os alimentos sem geladeira!

A ideia de um Confit de Tomates Cereja surgiu quando estava planejando os acompanhamentos para o famoso "Confit de Canard". Por ser uma carne muito forte em sabor, imaginei um acompanhamento suave, cremoso e adocicado, um Purê de Mandioquinha... Mas faltava "cor" no prato... Pensei, primeiro, em colocar uns tomatinhos cereja para decorar... Mas achei pouco criativo e sem nenhum realce no sabor do prato... Encontrei, então, uma receita de Confit de Tomates Cereja, no blog Aromas e Sabores! Perfeito! Os tomates ganhariam um "upgrade" em sua aparência e sabor!

A receita é tão simples e maravilhosa que me empolguei e acabei confitando alguns tomates italianos e cogumelos paris que estavam "dando sopa" na geladeira! É só colocar azeite, alecrim, alho e sal e deixar no forno baixo até ficar macio! Depois, no mínimo 24 horas na geladeira para ficar ainda mais delicioso!

Poutpourri de Confit (rimou!! rs)

Confit de Tomates Cereja
  • 200gr de tomate cereja cortados ao meio
  • 2 dentes de alho cortados ao meio
  • 1 galho de alecrim fresco
  • sal marinho a gosto
  • 1 colher de chá de vinagre
  • azeite para regar
Confit de Tomates Italianos
  • 2 tomates cortados ao meio
  • 2 dentes de alho cortados ao meio
  • 1 galho de alecrim fresco
  • sal marinho a gosto
  • 1 colher de chá de vinagre
  • azeite para regar
Confit de Cogumelos
  • 200gr de cogumelos frescos
  • 2 dentes de alho cortados ao meio
  • 1 galho de alecrim fresco
  • sal marinho a gosto
  • 1 colher de chá de vinagre
  • azeite para regar
A forma de preparo é a mesma: disponha os tomates ou cogumelos em uma travessa refratária, coloque os pedaços de alho, tempere com sal, alecrim e vinagre. Por último regue bastante azeite.




Leve para assar em forno médio até que fiquem murchos (os tomatinhos cereja demoram uns 30 minutos e os demais, de 45 a 50 minutos).


Deixe esfriar e leve à geladeira em pote bem fechado. Assim eles vão "curtir" e durar bastante!





Utilize como recheio de bruschettas, molho para massas, acompanhamento para carnes, aperitivo... É só usar a imaginação! Vejam, abaixo, duas formas de servir! E Bón appetit!

Gravatinha com Tomates Confitados
Confit de Canard com Purê de Mandioquinha e Tomates Cereja confitados

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

DESAFIO: Fazer um doce com pinhão - O Bolo de Pinhão!

Bolo de Pinhão
Depois de provar várias receitas salgadas deliciosas com pinhão (Farofa de Pinhão, Pesto de Pinhão...), encontrei uma receita doce com o nosso "pignole brasileiro": o Bolo de Pinhão.

A foto do site Gastronomia e Negócios já me chamou a atenção... O Bolo parecia fofinho, macio... Perfeito para tomar com o cafezinho da tarde, em um dia friozinho... Quanto diminutivo, meu Deus!!

Bolo de Pinhão (Gastronomia e Negócios)
Analisando tecnicamente a receita, o mais complicado na forma de preparo era cozinhar, descascar e moer os pinhões.

Mas, até para isso, eu tinha uma solução!!!

Em minha última estada em Campos do Jordão, comprei um utensílio "bem específico", mas que é bem útil se você é fã (como eu!) de pinhão: o pinholino! É um descascador de pinhões, feito de alumínio! Funciona muito bem!

Pinholino (foto da net)

Bolo de Pinhão

Ingredientes
  • 1 xícara de manteiga em temperatura ambiente
  • 1 lata de leite condensado
  • 4 gemas
  • 1 xícara de pinhão cozido, descascado e moído
  • 1 pitada de sal
  • 1 xícara de farinha de trigo
  • 1 colher de sopa de fermento em pó
  • 4 claras em neve
  • 1 colher de chá de manteiga para untar
  • 1 colher de sopa de farinha de trigo para untar
  • açúcar confeiteiro para polvilhar
Aqueça o forno a 180 graus e unte uma forma com buraco no meio. Bata as claras em neve e reserve. Bata a manteiga até formar um creme. Junte o leite condensado lentamente (virando a lata com cuidado para formar um "fio" de leite condensado diretamente na batedeira em movimento) até ficar cremoso. Junte as gemas, uma de cada vez, batendo bem. Coloque o pinhão e o sal e bata mais lentamente na batedeira. Desligue a batedeira e junte aos poucos a farinha e o fermento já peneirados, mexendo com uma espátula. Por último, junte as claras em neve e misture delicadamente com a espátula. Leve para assar por aproximadamente 45 minutos.

Deixe esfriar um pouco, desenforme e, quando estiver frio, polvilhe o açúcar confeiteiro utilizando uma pequena peneira para espalhar mais uniformemente.


O resultado não foi o que eu esperava... Utilizei uma forma meio esquisita, pequena para a quantidade de bolo. Não chegou a vazar, mas foi por pouco... A receita original também falava em 30 minutos de forno a 200 graus. Segui à risca e o bolo quase queimou na superfície (o meu forno elétrico é meio assassino mesmo)... Por isso recomendei na receita acima um forno mais baixo (180 graus). Além de queimar, quando desenformei, ainda estava um pouco cru por dentro... Que ódio!! rs... Mas não me fiz de rogada: enformei o bolo novamente e o dito voltou para o forno mais 15 minutos!!

Bolo de Pinhão
Bom, concluindo este desafio... A receita tem potencial, o bolo é bem saboroso e o pinhão deixa a massa crocante... Mas não foi desta vez que obtive resultados satisfatórios, principalmente se compararmos o meu resultado com a foto da Gastronomia e Negócios...

Mesmo assim, quando ameacei jogar o tal bolo fora (esse meu perfeccionismo...rs), o Alê quase me bateu!! Ele adorou, disse que o melhor bolo "simples" que ele já comeu! Achou sensacional! Será que ele está querendo me bajular?? rs... Valeu, amorzão, pelo incentivo!!

E Bón Appetit!!